CRÔNICAS


Carta aberta ao povo dos Estados Unidos do Brasil

por Carlos Castelo

Sobre uma fuga em que não fugi

Antes de mais nada, quero agradecer ao presidente Milei, ao presidente Trump e a todos os presidentes que, ao contrário de mim, conseguiram ser presidentes.

Agradeço particularmente ao maravilhoso povo americano por me acolher. Sempre admirei os Estados Unidos, sobretudo por ficarem tão longe do Brasil. O presidente Trump é um grande defensor da liberdade de expressão. Principalmente da dele. Quanto à dos outros, ainda está examinando o assunto com seus advogados.

Na noite de domingo, assisti estarrecido a uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos. Eu estava vencendo até começarem a contar os votos. Foi uma covardia matemática.

Lula recebeu mais de dez milhões de votos adicionais no segundo turno. Dez milhões! Ora, qualquer pessoa familiarizada com a matemática sabe que, quando se acrescentam dez milhões a um número, ele fica dez milhões maior. É uma manipulação aritmética que precisa ser investigada.

O Supremo Tribunal Federal, não satisfeito em contrariar minhas expectativas, resolveu contrariar também meu resultado. Estenderam o horário de votação, numa manobra destinada a permitir que pessoas que ainda não haviam votado cometessem a imprudência de votar.

Eleitores foram submetidos a regras diferentes. Uns votaram em mim. Outros, inexplicavelmente, não. Essa desigualdade é incompatível com a democracia que pretendo restaurar.

Houve também abuso do poder econômico, uso da máquina pública e compra de consciências. Não tenho provas de tudo isso, mas tenho convicções. E uma convicção vale por mil provas, especialmente quando as provas não aparecem.

Exijo, portanto, a cassação da chapa vencedora. Não por interesse pessoal, que jamais tive, mas pelo interesse superior da pátria em me ver presidente.

Sete minutos depois da eleição, começou a perseguição política. Sete minutos! Cronometrei. Não há demonstração mais evidente de conspiração do que a pontualidade. No Brasil, nada funciona no horário, a menos que seja contra mim.

O juiz que me persegue não deveria estar julgando ninguém, especialmente a mim. Considero-me perfeitamente habilitado a julgá-lo, pois a Justiça só é independente quando concorda comigo.

Não era minha intenção deixar o Brasil. Tanto não era que comprei a passagem com antecedência, para evitar decisões precipitadas.

Alguns chamam isso de fuga. Protesto! Fugir é abandonar o país contra a própria vontade. Eu o abandonei de forma espontânea, contra a vontade do país.

Quero deixar claro que não existe mandado de prisão contra mim. É isso que torna minha fuga tão necessária. Se eu esperasse por um mandado, estaria permitindo que a Justiça determinasse o momento da minha viagem. E sou um homem livre.

Meu pai foi perseguido. Eu sou perseguido. Todos os que nos apoiam são perseguidos. Há quem veja nisso um problema com a Justiça. Eu vejo um problema ainda maior: a Justiça insiste em existir independentemente da nossa família.

Não aceito o resultado das eleições. Não aceito as decisões judiciais. Não aceito as instituições. Aceito apenas a democracia, desde que não insista em funcionar.

Por fim, afirmo que jamais abandonarei o povo brasileiro. Continuarei ao seu lado, mesmo estando a milhares de quilômetros, protegido por outro governo, falando outra língua e, se possível, usando outro passaporte.

Voltarei ao Brasil assim que forem restabelecidas as condições democráticas fundamentais: minha vitória, a derrota do adversário e a abolição da contagem de votos.

Não sou um presidente derrotado. Sou um presidente eleito por uma maioria que, infelizmente, votou no outro candidato.


Publicado em 29/10/2026




Canção do exílio nº 2

por Carlos Castelo

Soneto de quinta

Vai, raspa daqui, grande desatino
Arruma logo as malas, dá no pé
Vai, verdugo dos que te cumulavam
De acordos e diálogos leais

Anda, burguês-funesto, ó, homem-nádegas
Vai, nem que seja pra aqui demorar-te
(Mas sem abrir a tua boca de praga)
Caminha, anda ligeiro, seu profeta

Do infortúnio, intérprete da desgraça
Vai, tua língua maldita há de secar
Como a folha que não viu primavera

Como o campo que o fogo devorou
Quero ver-te, agora e sempre, no exílio
Vai- te embora, Davi - leva o Alcolumbre!


Publicado em 30/04/2026




Livraria é encontrada em Balneário Camboriú; área é isolada para investigação

por Carlos Castelo

Notícias da Defesa Civil

Pesquisadores confirmaram hoje a existência de uma livraria em Balneário Camboriú, no litoral catarinense. O estabelecimento foi localizado entre uma clínica de harmonização facial e uma concessionária Porsche, durante uma vistoria de rotina da Secretaria Municipal de Obras.

A descoberta surpreendeu especialistas, que até então consideravam improvável a sobrevivência de livros em ambientes com mais de três beach clubs por quilômetro quadrado. Técnicos isolaram duas estantes e recolheram exemplares de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Haroldo de Campos, todos com sinais inequívocos de leitura.

“A ocorrência será tratada com cautela. Ainda não sabemos se os objetos estavam sendo lidos ou apenas servindo como decoração de interiores”, informou, em nota, o Departamento de Patrimônio do município.

Nos bastidores, empresários e políticos demonstraram preocupação com uma possível valorização intelectual da região.

Um condomínio próximo já convocou assembleia extraordinária para decidir se moradores poderão entrar no elevador portando romances com mais de 200 páginas. Uma consultoria de branding sugeriu chamar o estabelecimento de “Book Experience Premium” para reduzir o impacto na região.

Enquanto o achado é analisado, o local seguirá funcionando. A prefeitura, no entanto, estuda exigir óculos de proteção para quem consultar obras de William Faulkner, Virginia Woolf e James Joyce.


Publicado em 26/09/2026




O prompt do Tarcísio

por Carlos Castelo

Sou tipo uma pizza meia-calabresa, meia-marguerita.

Usuário (Tarcísio):

Olá, IA. Preciso de ajuda. Estou num nó pior do que trânsito na Marginal Tietê às seis da tarde. Veja só:

1. Tenho que apoiar o Bolsonaro. Afinal, devo minha eleição a ele. Se eu finjo que não apoio, o clã dele vem pra cima de mim com mais força do que as pancadas que dou em martelo de leilão.

2. Mas se eu apoio demais, o empresariado paulista me olha torto. Isso porque o banana do Bananinha foi pedir penico ao Donald e eu fui eu quem pagou o pato. E esses empresários não são de protestar à toa: eles têm colunas na Folha, assinam editoriais e, pior, fecham a torneira do financiamento de campanha.

3. Além disso, quero ser candidato a presidente em 2026. Quer dizer, não quero. Quer dizer, quero, mas não posso querer oficialmente. Se eu disser que sou o nome, o clã Bolsonaro vai dizer que sou ingrato, oportunista, falso paulista de Goiás. E, se bobear, mandar os kids pretos pra cima de mim.

Resultado: sou tipo uma pizza meia-calabresa, meia-marguerita. Todo mundo reclama, mas todo mundo pede.

Pergunta: Como é que eu saio dessa? Como apoio sem apoiar, e como viro candidato sem virar candidato?

 

Resposta da IA:

Caro Tarcísio, você está descobrindo agora o que qualquer camelô do Brás já sabe: quem tenta vender duas mercadorias incompatíveis termina sendo acusado de falsário. Apoiar Bolsonaro, sem apoiar Bolsonaro, é como abrir uma clínica de emagrecimento dentro de uma churrascaria rodízio: um insulto à inteligência do freguês.

Você quer parecer um gestor técnico, mas age como office-boy do bolsonarismo. Quer se vender como moderno para a Faria Lima, mas a única inovação que entrega é inventar desculpas novas para a velha carniça política de sempre.

Esse papo de "estou focado em São Paulo" engana só você mesmo. O eleitorado já entendeu que você é candidato. Do mesmo jeito que já entendeu que palmeirense vai reclamar da arbitragem mesmo vencendo. O teatro acabou, só você insiste em segurar a cortina com fita adesiva.

E sobre o clã Bolsonaro: esqueça. Se acha que vai herdar o espólio, prepare-se para ganhar no máximo um quadro autografado pelo Carluxo.



Portanto, a solução é simples:

1. Tenha coragem e assuma a bronca, ou continue como um daqueles semáforos quebrados da Avenida. Paulista piscando amarelo eternamente, sem servir para nada.

2. Se quiser ser candidato, seja. Se não tiver estômago, volte a dar palestra em sindicato de engenheiros e pare de fingir que é político.

Em suma: o seu dilema não é apoiar sem apoiar, nem ser candidato sem ser candidato. O seu dilema é ser um poste com planilha no Excel.

                              ***

Quer que eu escreva uma versão mais fofa, passando a mão na sua cabeça, Tarcísio?


Publicado em 10/09/2025




Os sonhos do Lupércio

por Vasqs

Imaginou e pôs em prática um plano sui generis

Um deles era ser entrevistado: como os atores, os cantores, os escritores e os jogadores de futebol.
Imaginou e pôs em prática um plano sui generis: ajudou a atravessar uma velhinha e largou ela no meio da avenida. A velhinha fez um baita dum escândalo, chamaram a polícia, e ele, o Lupércio, foi parar na delegacia. Batata! Como ele queria, foi entrevistado pelo delegado.
O delegado disse bom dia, como vai? e ele respondeu que tudo bem.
– Cafezinho?
– Obrigado, não.
– Seu nome?
– Lúcio Lupércio.
– Profissão?
– De tudo um pouco.
– Ovos em várias cestas... muito bem! Formado?
– Fiz o primeiro ano do colégio e parei.
– Por quê?
– Muito trabalho, dr. Um dia eu completo.
– Ótimo. Casado?
– Com a Lena Lenita, um anjo de mulher. Somos do mesmo signo!
– Não diga, eu também! Quer dizer, eu e minha mulher somos Peixes.
– Nós somos Sagitário. Março; ela 5, eu 18.
– Belo signo, vão viver eternamente juntos.
– É mesmo?
– É o que dizem os astrólogos.
– Nunca brigamos, fomos feitos um para o outro.
– Tá vendo? Nós também. Filhos?
– Duas. Laura Lúcia e Lídia Lair. A mais nova 5, a mais velha 8.
– Ah, mocinhas! Moram onde?
– Comigo.
– Onde?
– No Cambuci. Casinha simples, sabe?, herança de papai. Comprou com dificuldade, 30 anos pagando.
– Lar doce lar! Tão bom ter uma casa.
- Tem até jardim. Minha mãe que fez, rosas de todo tipo.
– Gosta?
– Eu que cuido, mamãe aprendia na TV, com a Xênia, lembra da Xênia?, e me ensinava. Faço até enxertos.
– Que cor prefere?
– Qualquer uma. Me comove a beleza que traz a primavera com a florada do ipê amarelo.
– Lindo, né? Também tem o branco.
– Sim, com aquela atmosfera nórdica.
– A igualdade é branca!
– A paz é branca.
– Algum sonho?
– Ser entrevistado.
– Está realizando!
– Nem acredito. Também queria apresentar um de jornal de TV.
– Mesmo? Que nem o Tralli?
– Que nem o Bonner. Eu e a Lena Lenita apresentando o Jornal Nacional, aquela elegância, aquele jogral, aquele boa noite!...
– E ela?
– Quem?
– A Lena Lenita, também sonha com isso?
– Não, o dela é ser aeromoça.
– Ah, as mulheres!, sempre sonhando alto... Bom, acho que nosso tempo acabou.
– Passou rápido.
– Volte sempre.
– E a velhinha?
– Impertinência de velha. Dá-se um jeito.
– Obrigado,dr.
– Ah, só mais uma coisa: o que acha da polícia de São Paulo?
– Bom...
Corta!
Não foi nada disso. O delegado nem quis saber do Lupércio, mandou ele direto pra cadeia, aos berros.
Dois cascudos: “E se fosse sua avó?, e se fosse sua tia?!”. E um pé na orelha: “E se fosse sua mãe?!”.
Após três dias vendo o sol nascer com quatro lados iguais e paralelos dois a dois, foi solto com a advertência: “Na próxima, pega um mês na penitenciária e vai apanhar até ficar mais inchado que um bauicú-de-chifre”.
Em casa, encontrou a Lena Lenita, bico de garça, comprido e pontiagudo.
Pegou um mês dormindo no sofá. Um mês de abstinência.


Publicado em 14/10/2026




O Viúvo-Negro

por Vasqs

Ninguém mais queria se casar com o Bonfim

O Bonfim se casou, e a mulher, que se chamava Brigite, morreu dois anos depois. Era culta, conhecia toda obra de Maupassant, mas fraquinha: saiu uma noite dessas de muito frio, pegou uma pneumonia e pifou de um jeito muito parecido com o de uma personagem do contista.

Casou- se de novo, o Bonfim . Dois anos depois, de novo perdeu a esposa. Essa, de nome Maria Auxiliadora, uma santa de mulher, foi atropelada por uma ambulância que socorria outra mulher, que sobreviveu a esse acidente mas morreu de outro, um Acidente Vascular Cerebral, qie a levara ao hospital.

Pois o Bonfim não se deu por rogado. Casou-se uma terceira vez e uma terceira vez morreu a esposa, também ao completar dois anos de matrimônio. Esta, chamada Marcélia, morreu porque se lhe abateu uma súbita, inexplicável e profunda depressão e morreu porque se matou ingerindo três caixas de cloridrato de sertralina 100 mg.

Ninguém mais queria se casar com o Bonfim. Mas como ele tinha boas economias - na verdade era rico, bem rico - fixou um cartaz na praça da cidade oferecendo à moça que a ele se juntasse "vida nababesca, empregadas, motoristas, conforto à bessa e muita paz". O diabo foi essa palavra "paz", que foi interpretada por algumas moças como coisa de cemitério. Ele riscou a palavra paz e dessa vez a frase foi interpretada por outras como que, sem paz, não teriam sossego, pensando o tempo todo que a qualquer momento poderiam bater as botas - e a gente sabe como as moças adoram calçar botas.

Não foi fácil, levou algum tempo, mas encontrou uma, de nome Anita Lenita, jovem e pobre, que sempre quis comer ravioli de trufas brancas e nunca teve dinheiro pra comprar, e que sonhava ter muitos filhos.

Comeria quantos raviolis de trufas brancas quisesse, teria quantos filhos quisesse, garantiu o Bonfim. Case-se comigo!, ele pediu.

Quando estava pra completar dois anos de casamento, ela já grávida do segundo filho, o Bonfim virou anjo da guarda e cobriu a mulher de proteção. Contratou o melhor convênio médico, desses 5.0, com restaurante digno de um 3 estrelas Michelin, quarto 6x8, 5 enfermeiras, 4 médicos particulares e uma UTI à disposição só pra ela.

Mas eu não tenho nada, querido, estou me sentindo muito bem, ela dizia. Nunca se sabe, sempre bom prevenir, ele ponderava. E ligava pra ela de hora em hora, se se sentia bem, se comera bem, que deveria descansar, cuidado nas escadas, não saia sozinha nas ruas, cuidado com as balas perdidas e com as calçadas cheias de buracos.

Lá um dia, fazendo a caminhada habitual, de manhazinha, uma manhazinha fresca, saudável, despoluída, sentiu um ráio fulminante e definitivo no peito e caiu como uma jaca madura estatelada no chão.

Ele, não ela.

Ela, e não ele, agora passou a ser vista como um risco. Ninguém queria se relacionar, sequer se aproximar, muito menos se casar com ela, mesmo com todo dinheiro que herdara. E herdara coisa de $2.756 milhões, fora um automóvel, fora uma caminhonete, fora a casa, um casão, e 5 cães de raça importados da Europa, que somados valiam uns 200 mil dólares.

Forte assim, capaz de enviuvar-se de um agourento empedernido como o Bonfim, que se enviuvara antes de três esposas, ninguém era besta de se arriscar.

Solteira, solitária, abandonada e frágil, enlanguescida e quase sem fala, como a Nannerl Mozart, que morreu em 1829, em Salzburgo, na Áustria, a Anita Lenita foi encontrada morta em sua casa, um casão, com a cabeça caída num prato de ravioli de trufas brancas.

Tinha 68 anos e dois filhos, apenas dois.


Publicado em 05/08/2026




Uma noite na caserna

por Vasqs

Por que um comunista colocaria um gato no armário?

Escalados pra fazer a vigília naquela noite, os recrutas Abílio e Pederneiras mantinham os olhos fixos na janela da guarita. Súbito, ouviram um barulho forte, que veio não de fora, mas de dentro do quartel, do escritório ao lado.

Espingarda em punho, os dois correram, atravessaram o corredor, a porta do escritório, e entraram. Entraram abaixados, cuidadosos, pé ante pé, olhos e ouvidos arregalados. Procuraram sob as mesas, cadeiras, armários, e pronto, ...era dali, de um dos armários, que vinha o barulho, alguma coisa que se mexia dentro.

Abílio aproximou-se lentamente e perguntou: quem está aí? Sem resposta, a porta entreaberta, ele puxou com cuidado com a ponta da espingarda. Foi então que um vulto saltou sobre ele, plóft! Parecia 3 quilos de massa de pastel, que bateu, arranhou sua cara e saiu, miando, desembestado, na velocidade de um coelho.

Como coelho não arranha e pastel não mia, só podia ser um gato. Um gato que em poucos segundos tinha vazado pela janela e já se embrenhava no meio do mato, no meio da noite.

Pederneiras bem que tentou, puxou a espingarda e atirou, uma, duas vezes. E errou, uma, duas vezes.

O barulho ecoou alvoroçando o quartel: luzes acendendo, homens na janela, correria.

Antes das 5 horas o sargento já tinha reunido a tropa toda, aos gritos:

- Pelotão, sentido!

Fez-se aquele barulho de coturnos batendo todos ao mesmo tempo: craec!

- Pelotão, descansar!, outro grito do sargento.

- Estou sabendo de tudo!

O pelotão todo também estava sabendo de tudo.

De novo o sargento:

- Um gato no armário do escritório assustou dois mariquinhas...E pior: conseguiu escapar!...

- Não é mesmo, recruta Abílio? - voltou-se olhando direto pro recruta Abílio.

- Si-sim, sargento, gaguejou o Abílio.

- Não foi assim, recruta Pederneiras? - falou agora olhando pro Pederneiras.

- Hã? Ah, foi, foi assim, sargento - respondeu o Pederneiras, sonolento.

O sargento andava de um lado pro outro, pisando firme, pensando no que dizer, e disse:

- Escapou, não é? Deixaram-o-gato-escapar... disse baixinho como que pra si mesmo.

- Preste atenção, pelotão - continuou - ... preste bem atenção na seguinte e importantíssima questão de cunho tático-estratégico.

Silêncio.

- Ok, era só um gato, apenas um gatinho inofensivo, assustado,... E assim mesmo ...escapou. Mas... - aqui sua voz subiu a 150 decibéis - ...E SE EM VEZ DE GATO, PELOTÃO, E SE EM VEZ DE GATO QUEM ESCAPOU FOSSE UM COMUNISTA?!

Mais silêncio, agora com arrepios.

- Hein, recruta Abílio, hein, recruta Pederneiras? - prosseguiu o sargento passando os olhos perscrutantes em cada um da tropa.

Então um deles lá no fundo ergueu a mão.

- Sargento – disse - um comunista cabe no armário?

Isso pôs o sargento mais vermelho que a bandeira do partido. Ergueu os olhos e rosnou:

- Idiota-imbecil. Estou propondo uma hipótese pedagógica. "Se", eu disse, "se fosse", no condicional, seu cretino.

Ato contínuo, outro ergueu a mão.

- Sargento! Existe gato comunista?

E antes que o sargento respondesse, um terceiro ergueu a mão.

- Sargento, se não tem gato comunista, os gatos de Cuba são o quê?

O sargento já parecia uma locomotiva, soltando fumaça por todos os orifícios: boca, nariz, orelhas e etc... até pelo etc.

Mas outro falou em seguida:

- Sargento, se era só um gato, e não um comunista, nem um gato comunista, nem um comunista gato, fim de caso, né?

- Muito bem... - reagiu o sargento - agora temos um espertinho! Como sabe que não foi um comunista que colocou o gato no armário?

- Desculpa sargento, mas... por que um comunista colocaria um gato no armário?

- Ah! Como se atreve o retruca me recrutar...hã... o recruta me retrucar?

O sargento estava realmente nervoso.

- Criatura ingênua - seguiu ele - idiota-irrecuperável, cretino-insolúvel, não sabe que eles fazem gatos engolirem escutas?!! Não sabe que põem bombas-relógio no intestino dos gatos?

- Ei, peraí, sargento, e se o gato entrou no armário só pra se esconder?, falou mais um sem sequer erguer a mão.

- Cala a boca!, fuzilou o sargento com voz seca. Outro espertinho!... Então me diz, criatura boçal, esconder de quem?

A essa altura a autoridade do sargento já estava à deriva. Foi quando um mais ousado emendou com uma voz esganiçada que parecia um... miado:

- Dos comunistas...

Essa o pelotão - e o Abílio, e o Pederneiras, não resistiram. Caíram na gargalhada, com o sargento roxinho da silva, vociferando:

- Cretinos, ordinários! Sentido! Sentido!

Deu uma pausa, respirou fundo, e soltou:

- COMUNISTAS! COMUNISTAS!


Publicado em 20/04/2026




Anedota judaica

por Nelson Moraes

Se eu estiver certo...

Não, a anedota judaica que se segue não é uma parábola sobre a dificuldade de tentar trazer à razão – através de evidências sólidas, dados comprovados e lembranças factuais incontestáveis – uma parcela numerosa e arraigada (aliás, “raiz” tem um pouco a ver com o tema da anedota; lê até o fim) da opinião pública, o que até o momento se vem se mostrando infrutífero (“fruto” também tem a ver. Aguenta aí).

Alan Uterman conta que certa vez o célebre rabi Simeon Ben Eleazar, em confronto com autoridades talmúdicas a respeito de certa passagem no Tanakh (o conjunto de livros que formam a Bíblia hebraica), vendo que jamais demoveria os teimosos, retrógrados e intransigentes interlocutores com argumentos pautados pela mais pura lógica, partiu pro tudo ou nada.

– Se eu estiver certo – disse, apontando a janela –, que aquela árvore ali fora se mova pra provar.

Os demais olharam a árvore e em seguida entreolharam-se, até o que o mais velho dos rabis, dando de ombros, e pra terminar logo aquilo, concedeu não sem um tom de preguiçoso escárnio:

– Que seja.

Lentamente a árvore começou a se desenraizar, andando uns cinquenta centímetros pro lado.

Silêncio pesado, arrastado. Então o rabi mais velho deu um tapa na mesa:

– E desde quando eu vou aceitar opinião de árvore nessa discussão?!?


Publicado em 05/10/2026




Messias

por Nelson Moraes

Entram num bar Jesus, o Jim Caviezel e o Bolsonaro

Entram num bar Jesus, o Jim Caviezel e o Bolsonaro.
- Eu fui você - diz o Caviezel pra Jesus, e, apontando o Bolsonaro: - Agora vou ser ele.
- Pois é - fala o Filho do Homem. - E eu achando que o Mel Gibson já tinha te castigado o suficiente.
* * * * *
Entram num bar Jesus, o Jim Caviezel e o Bolsonaro.
- No filme eu interpreto um homem que tem Messias no nome - regozija-se o Caveziel -, e que durante uma campanha é atacado com uma facada.
- Ah, peralá - obtempera Jesus. - O Alcolumbre ter cancelado a sabatina do Messias no Congresso não chegou a configurar uma facada.
- Não é esse Messias a que eu me refiro - resmunga o Caviezel.
E o Filho do Homem:
- Tô tentando limpar sua barra e você não ajuda.
* * * * *
Entram num bar Jesus, o Jim Caviezel e o Bolsonaro.
- Estou interpretando um herói - anuncia o Caveziel.
- Ah - provoca Jesus. - Então desistiu do filme?
- Não! - exalta-se o outro. - Interpreto um herói do mundo neoliberal, enfrentando a sanha incansável da esquerda, sem medo de nada!
E Jesus:
- Nem medo do ridículo, com aquela peruca?
* * * * *
Entram num bar Jesus, o Jim Caviezel e o Bolsonaro.
- O filme vai falar a corações e mentes - proclama o Caviezel - e convencer a plateia de que meu personagem é um líder nato!
- Sei - murmura Jesus. - E o milagreiro aqui sou eu.
- Pois tá aqui o personagem principal - diz o Caviezel, apontando pro Bolsonaro - pra confirmar cada palavra que eu digo!
- Hm - arremata o Filho do Homem. - Bem que notei que ele tá caladão desde que começou a piada.


Publicado em 09/12/2025




Barbas brancas

por Nelson Moraes

Como a gente se parece, ninguém vai perceber

Deus, Marx, Darwin, Papai Noel, Bernard Shaw e o Hermeto Pascoal se encontram em um restaurante. E o pau já começa quebrando:

– Engodo alçado à condição de sublimidade pra consumo das massas!

– Ei – ri o Shaw – Isso foi Marx falando pra Deus ou Deus falando pro Marx?

– Fui eu – fala Papai Noel. – Tava apenas reclamando do molho pesto no meu fettuccine.

– Ah – diz o Marx. – Até acreditei que tivesse sido eu. O que mais ouço é coisa atribuída a mim que não saiu de minha boca.

– E como as pessoas vão saber o que você falou ou não? – provoca Deus. – Me aponte alguém que tenha lido Das Kapital inteiro que eu pago a conta sozinho.

– Ha – diz Papai Noel. – Você é onipotente, pagar a conta sozinho é pinto. Quero ver distribuir dois bilhões e seiscentos milhões de presentes numa só noite.

– Você é da Odebrecht? – pergunta o Hermeto.

– Vamos fazer o debate evoluir, vamos fazer o debate evoluir – fala o Darwin, mas ninguém ri. E ele prossegue: – O que estamos fazendo aqui?

– Sei lá – diz Deus. – Pelo que vejo, deve ser a convenção anual da barba branca.

– Por que anual? – pergunta o Shaw. – O restaurante é tão caro assim?

– Se for caro – vocifera o Marx – tenho certeza de que os cozinheiros não são remunerados na proporção direta dos ganhos do proprietário, e acabam sacrificados pela mais-valia absoluta.

– Pra fazer um molho pesto desses tinha é que ser chicoteado – resmunga o Papai Noel.

– Vamos escolher o cardápio então por seleção natural – diz o Darwin, sem ninguém rir.

– Escuta – pondera o Hermeto. – Se estamos aqui por causa das longas barbas brancas, podiam ter chamado no meu lugar o Sivuca, que todo mundo confunde comigo. É que hoje eu já tinha um compromisso pra gravar um álbum póstumo.

– Mas eu acho que o punchline é esse mesmo – diz Deus. – O segredo vai ser cada um de nós sair deste restaurante trocando de lugar um com o outro. Como a gente se parece, ninguém vai perceber.

– Faz sentido – fala o Shaw. – Deus assume o lugar do Darwin nas aulas de Ciências nas escolas públicas brasileiras, Papai Noel assume o lugar do Marx na agenda da militância que até hoje aguarda a distribuição igualitária de bens, o Hermeto assume o lugar de Deus naquelas missas chatíssimas de padres cantores, o Darwin assume o lugar do Papai Noel pra substituir a árvore de Natal pela genealógica e o Marx assume o lugar do Hermeto pra gravar o álbum "Manifesto Repentista". Que tal?

– OK, mas e você, Shaw? – pergunta Deus.

– Ora – diz o Shaw. – Eu troco de lugar com o autor do texto. O coitado tenta me copiar do modo mais patético possível, e o máximo que ele consegue é deixar a barba crescer. E nem cresce tanto assim.

– Mas tem uma coisa – volta a resmungar o Papai Noel. – O que eu faço com a porcaria desse molho pesto?

– Ué. Põe a barba no molho – fala o Darwin e, ao contrário do que você imaginava pro desfecho, continua sem ninguém rir. É que tá muito longe de ser um texto do Shaw.


Publicado em 11/12/2025



AGENDA

Livro
Culpa dos infernosO cartunista J. Bosco inverte a lógica do mal em sua sétima obra autoral

O cartunista J. Bosco inverte a lógica do mal em sua sétima obra autoral, O Diabo tem as Costas Largas, mostrando como as mazelas sociais nascem das escolhas humanas através de cartuns premiados e inéditos.
O livro conta com 62 páginas coloridas e reúne dezenas de cartuns, muitos deles inéditos e outros já premiados em salões de humor ao redor do mundo.
A proposta de J. Bosco é inverter a lógica tradicional do imaginário popular. Em vez de apontar para o diabo como o culpado externo por todos os males, o artista explora como o “mal” nasce das escolhas humanas cotidianas. Através do humor, a obra aborda temas espinhosos como corrupção, racismo, violência, devastação ambiental e fanatismo, transformando o personagem central em um observador irônico da nossa sociedade.




Revista
Fenamizah de fevereiroEsta edição conta com a participação de 117 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.

Já está disponível pra download a edição de fevereiro de 2025 da revista eletrônica Fenamizah (edição 76), editada por Aziz Yavuzdoğan. Esta edição conta com a participação de 117 cartunistas e escritores de 39 países diferentes, incluindo cartunistas e escritores de renome mundial.
A revista eletrônica Fenamizah é publicada todo mês em plataformas digitais, oferecida gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo, sem nenhum propósito comercial.
Você pode baixar a edição de fevereiro gratuitamente clicando aqui.




Livro
Quadrinhos & PublicidadeA evolução dos quadrinhos na publicidade em centenas de anúncios.

Em uma fascinante jornada que começa no final do século XIX e chega aos dias atuais, Splash! Uma Breve História da Publicidade em Quadrinhos! mostra a evolução dos quadrinhos na publicidade no Brasil e no mundo, em centenas de anúncios.
Splash! Uma Breve História da Publicidade em Quadrinhos! é o resultado de uma pesquisa de quase vinte anos do ilustrador, diretor de arte e pesquisador Toni Rodrigues. O autor buscou, catalogou, apurou informações e recuperou imagens e arquivos considerados há muito perdidos em diversas fontes.




Livro
O horror segundo Carlos CasteloCastelo revela que além do humor também habita nele uma inquietante galeria de horrores.

Há escritores que se especializam numa só faceta literária. Vivem e morrem na confortável casinha construída em torno de um único estilo. Não é o caso de Carlos Castelo, figura conhecida por sua trajetória múltipla. Jornalista, humorista, poeta, publicitário premiado e agora — para arrepio de muitos — autor de contos de horror.
Em Dentro de Mim Mora a Sombra, Castelo revela que, além do humor, também habita nele uma inquietante galeria de horrores. Com apresentação luxuosa assinada pelos escritores Bráulio Tavares e Gustavo Ávila, o livro chega como uma inesperada novidade. Quem diria que um dos criadores do icônico grupo Língua de Trapo, símbolo irreverente da São Paulo dos anos 80, também dominasse o sombrio e o macabro?
Inspirado em Edgar Allan Poe e Ambrose Bierce, escritores que transitaram habilmente entre o horror e o humor, Castelo reconhece que esses dois gêneros são como irmãos gêmeos univitelinos. Um provocando o medo, o outro o riso. E nessa coleção de histórias perturbadoras, o autor explora exatamente essa dualidade, mesclando folclore brasileiro, lendas urbanas e os dilemas mais sombrios da vida moderna.





Humor ambientalA floresta também pode ser defendida com traços e sorrisos

A floresta também pode ser defendida com traços e sorrisos, é o que mostra o livro Amazônia Meu Humor – 40 anos em defesa da Amazônia, de Paulo Emmanuel.
A obra reúne quatro décadas de cartuns dedicados à luta ambiental na região, em um registro histórico e artístico que transforma humor em resistência. Emmanuel, referência do humor gráfico na Amazônia, consolida no livro sua trajetória marcada pela crítica afiada e pelo olhar sensível sobre os desafios ecológicos da floresta.




Livro
O humor de VasqsPapo Gaio de Maritacas

Vasqs vai lançar seu novo livro de humor, Papo Gaio de Maritacas, pela editora Converso. O lançamento será no dia 29 de novembro, das 14h às 17h, no Mi & Mo Gato Café (rua Coronel Oscar Porto, 400), próximo ao metrô Brigadeiro.




Revista
Fenamizah de maioNova edição com trabalhos de 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.

A nova edição da Fenamizah foi publicada, com trabalhos de 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes. Baixe o PDF aqui.
Você também pode acompanhar as novidades no site.
A Fenamizah e-magazine é publicada gratuitamente todos os meses na plataforma digital, com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer finalidade comercial.




Livro
Tom & LauraO poder no Brasil - a partir do ponto de vista de um casal de vira-latas no cio.

A política brasileira pode ser chamada, às vezes, de uma grande cachorrada. É o que se vê nesta sensacional antologia de tiras em cores do publicitário, compositor e músico Carlos Castelo e do cartunista Bier. Um jeito irreverente, divertido e com sacadas geniais de observar o poder no Brasil - a partir do ponto de vista de um casal de vira-latas no cio. Morra de rir com este livrinho em formato de talão de cheques com a qualidade da Editora Noir.
Opiniões (sinceras) sobre a obra:
"Livrinho ingrato: prova de que o homem é o PIOR amigo do cão..." - Edgar Vasquez
"A tira é boa, mas tirem os cachorros" - Spacca
"Quem são Tom & Laura?" - Laerte
"Que cachorrada do Castelo e do Bier!" - Chico Caruso





Livro
Mortadelo e Salaminho estão de voltaOs agentes da T.I.A. agora com duas HQs em uma única edição

A Figura Editora ouviu o público, e o segundo volume de Mortadelo e Salaminho chega com dose dupla de HQs do genial Francisco Ibáñez. Isso mesmo, são duas aventuras dos agentes da T.I.A. em uma mesma edição de 96 páginas!




Revista
Edição de janeiro da FenamizahJá está disponível a 75ª edição da "Fenamizah", publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan .

Já está disponível a 75ª edição da "Fenamizah", publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan, com participação de 115 cartunistas e escritores de 36 países diferentes. A “Fenamizah E-Magazine” é publicada mensalmente na plataforma digital com a participação voluntária de artistas de todo o mundo. É publicado gratuitamente, sem qualquer finalidade comercial. Baixo o PDF aqui ou leia online no Fliphtml5.




Livro
Cartografias do fimAntologia de contos inéditos sobre a crise climática

A revista literária Subtextos, referência na publicação de ficção contemporânea brasileira no ambiente digital, anuncia o lançamento de seu primeiro livro impresso: Cartografias do fim.
Organizada por Mariane Lima, a antologia reúne treze escritores que abordam a emergência climática a partir de perspectivas e linguagens distintas — do fluxo de consciência ao conto de terror, passando por narrativas intimistas, distópicas e experimentais. O resultado é um mosaico literário que dialoga com as angústias, paisagens e possibilidades de um planeta em transformação, oferecendo uma seleção plural capaz de atender a diferentes sensibilidades de leitura.
O projeto se viabiliza por meio de uma campanha de apoio que oferece diferentes recompensas aos participantes.




Livro
Cartuns EcológicosPlaneta em Risco" é o sexto livro do cartunista J.Bosco, trazendo 86 cartuns que abordam diversas formas de degradação do meio ambiente.

"Planeta em Risco" é o sexto livro do cartunista paraense J.Bosco, com mais de 40 anos de profissão, são 86 cartuns ecológicos, abordando diversas formas de degradação do meio ambiente, poluição dos rios e mares, desertificação, aquecimento global, extinção de algumas espécies marinhas, crise climática. Um livro com vasto material crítico, com linguagem universal, que nos leva a uma reflexão sobre o tempo de nossa própria existência.





Livro
Relicário de afetosTudo com humor, lirismo e ironia

Carlos Castelo, reconhecido por sua verve humorística e seu olhar afiado para o humano, reúne em seu novo livro, Museu de Musas, letras e poemas escritos ao longo de décadas. São declarações tardias, confissões improvisadas, bilhetes que nunca foram entregues. Musas reais ou inventadas, passageiras ou perenes, todas reunidas neste espaço de palavras que ora se parece com um quarto de pensão, ora com um altar pagão.




Revista
Fenamizah em edição especialEdição especial dos mestres do cartum mundial

A Fenamizah apresenta uma edição especial com 100 páginas em homenagem aos mestres do cartum mundial, apresentando trabalhos de Steinberg, Ziraldo, Mordillo, Hoffnung, dentre outros. Leia online ou baixe o pdf




Jornal
Nova edição do GrifoO acordo que China e América Latina estão costurando para superar a violência trumpista

No GRIFO 55, Jef Miola questiona “Que Congresso é esse?” (e nem tinha acontecido a barbárie contra Marina Silva). Essa postura agressiva e direitista não é exclusividade brasileira, mostram Luiz Faria analisando Trump, Tarso Riccordi questionando o “desprefeito” de Porto Alegre. Já Winckler aborda o acordo que China e América Latina estão costurando para superar a violência trumpista. Coisa que ficou bem ilustrada na capa do Eugênio Neves.




Livro
VizungaObra-prima de Colin retorna em volume inédito pela editora Veneta.

Criado por Flavio Colin (1930–2002) e publicado originalmente em tiras diárias, entre 1964 e 1966, na Folha de S. Paulo, Vizunga é um dos pontos mais altos na história dos quadrinhos brasileiros. As tiras reúnem histórias do pescador e caçador Parcival de Carvalho, o Vizunga, e misturam elementos da cultura gráfica popular brasileira com o modernismo, em narrativas cheias de aventura, ironia e crítica social. Vizunga retorna em um volume inédito pela editora Veneta.




Revista
Nova edição da FenamizahEm sua 82ª edição, a revista eletrônica Fenamizah apresenta 128 cartunistas e escritores de 40 países diferentes.

Esta 82ª edição da revista eletrônica Fenamizah, publicada por Aziz Yavuzdoğan como editor-chefe e com a participação voluntária de cartunistas e escritores de renome mundial, apresenta 128 cartunistas e escritores de 40 países diferentes. Baixe seu exemplar em PDF aqui ou leia online no Fliphtml5.




Livro
A lírica visual de FaustoUm lírico passeio gráfico indo do humor à poesia visual.

Fausto Bergocce é cartunista, ilustrador e multiartista visual, com obras que transitam entre o desenho, a pintura, a colagem e a fotografia, integrando aos cartuns, tiras e charges muito desses conhecimentos. Seu novo livro, Simples Cartum, é um lírico passeio gráfico indo do humor à poesia visual.




Jornal
Novo vôo do GrifoO jornal apresenta um vasto material de charges e textos combativos, destacando neste número 51 o cinquentenário de Rango de Edgar Vasques.,

Saiu o novo número do Grifo, publicação de humor e política editada pelos cartunistas da Grafar (Grafistas Associados do RS). Publicado desde outubro de 2020, o jornal apresenta um vasto material de charges e textos combativos, destacando neste número 51 o cinquentenário de Rango, antológico personagem criado por Edgar Vasques em plena ditadura militar.




Exposição
Quadrinhos no PompidouReunindo fundamentos, surpresas e raridades, a exposição é uma verdadeira celebração dos quadrinhos.

Em 29 de maio foi aberta a exposição “Bande dessinée, 1964 - 2024”, no Centro Georges Pompidou, em Paris. A mostra pretende oferecer um diálogo inédito entre os 3 principais centros de expressão da banda desenhada: a criação europeia, os mangas asiáticos e os quadrinhos americanos. Reunindo fundamentos, surpresas e raridades, a exposição é uma verdadeira celebração dos quadrinhos. A exposição vai até novembro.





Livro
A volta de MoebiusHá quase duas décadas fora de catálogo, o trabalho de Moebius finalmente volta pela editora Tábula.

Moebius é um autor muito prolífico com várias coletâneas e personagens. Suas histórias curtas publicadas da Metal Hurlant (França) e Heavy Metal (EUA), revolucionaram o mercado dos quadrinhos.
Há quase duas décadas fora de catálogo, o trabalho de Moebius finalmente volta pela editora Tábula em uma edição que reúne material consagrado, além de algumas histórias inéditas no Brasil.




Livro
Os Migonautas As aventuras bem humoradas de ursos viajando pelo espaço.

Os Migonautas é uma série de tirinhas criadas por Mig Mendes. Com bastante estrada, a tira começou como tira diária de jornal, publicada em O Fluminense de Niterói e outros diários. Nessa época (1991 - 1993) o título era O Urso no Espaço. Depois as tiras foram recriadas para redes sociais no final de 2015, com muito mais cor, desenvolvimento de personagens e arcos formando pequenas histórias. O volume 5 dos Migonautas está em campanha no Catarse.




Revista
Nova edição da FenamizahPublicada gratuitamente em plataforma digital com a participação voluntária de artistas de todo o mundo.

A edição de dezembro da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 100 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 106 caricaturistas e escritores de 35 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de novembro aqui. Ou ler a revista online nos sites Calameo ou Fliphtml5.





Revista
Edição de abril da Fenamizah80 páginas com 137 cartunistas e escritores de 40 países diferentes

A edição de abril da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 80 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 137 caricaturistas e escritores de 40 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de abril aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Livro
Pária amada, Brasil!Uma seleção meticulosa das máximas mais incisivas e humorísticas de Carlos Castelo

Carlos Castelo lança seu novo livro, "PÁRIA AMADA, BRASIL - 99 aforismos sobre o Brasil & um sobre Portugal”, recheado de observações sarcásticas sobre o país. Uma seleção meticulosa das máximas mais incisivas e humorísticas de Castelo, com base em sua carreira como colunista dos jornais Estadão, Rascunho e O Dia. Castelo criou uma provocação divertida sobre a cultura, a sociedade e as peculiaridades brasileiras. Uma coleção de aforismos que oferece aos leitores uma mistura inusitada de ironia, sagacidade e observações agudas sobre o Brasil. - Tempos Crônicos





Livro
Histórias MínimasUm olhar afinado de Paulo Batista sobre detalhes do mundo cotidiano.

Um olhar afinado sobre detalhes do mundo cotidiano (que muitas vezes passam desapercebidos) disposto ao longo de oitenta páginas de pequenas HQs. É o conteúdo de Histórias Mínimas, novo livro do cartunista Paulo Batista, publicado pelo selo PB Editorial do próprio autor. “São temas que eu gosto de explorar como cronista do mundo do meu entorno”, diz o artista. Muitas dessas HQs e tirinhas foram publicadas no Instagram e páginas do Facebook identificadas com o mesmo título do livro. Agora editadas na sequência formam uma narrativa ainda mais interessante sob o traço delicado do cartunista. Para mais informações de como comprar o livro acesse aqui pelo Instagram ou Facebook





Revista
Fenamizah de julhoA edição de julho da revista internacional de humor Fenamizah foi publicada.

A edição de julho da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. Editada por Aziz Yavuzdoğan e publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de julho aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Revista
Revista Fenamizah de marçoUma nova edição da revista internacional de humor Fenamizah .

Uma nova edição da revista internacional de humor Fenamizah (Mau humor, em turco) foi publicada. São 100 páginas nesta edição da Fenamizah e-magazine, cujo diretor editorial é Aziz Yavuzdoğan e da qual participaram 131 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.
A Fenamizah e-magazine é publicada mensalmente em plataforma digital gratuitamente com a participação voluntária de artistas de todo o mundo e sem qualquer propósito comercial.
Você pode baixar o PDF da edição de março aqui. Ou ler a revista online no site Fliphtml5.




Livro
Níquel NáuseaFazendo 40 anos

Níquel Náusea, personagem imortal de Fernando Gonsales, está fazendo 40 anos. E a Z Edições apresenta esta coleção que irá reunir todas as tiras criadas por Fernando nessas quatro décadas.




Revista
Fenamizah de junho80ª edição da Fenamizah e-magazine

A 80ª edição da Fenamizah e-magazine está disponível para leitura online ou download. Editada por Aziz Yavuzdoğan, a nova edição conta com a participação voluntária de 130 cartunistas e escritores de 39 países diferentes.




Livro
Ebal – Uma História IlustradaA editora de quadrinhos que marcou época e conquistou corações ganha um livro.

Em 1934, Adolfo Aizen criou o Suplemento Juvenil, publicação que revolucionou os quadrinhos no Brasil e liderou o segmento na maior parte de seus onze anos de existência. Até que, em 1945, Aizen parte para um novo projeto e cria a sua Editora Brasil-América.
Finalmente a editora de quadrinhos que marcou época e conquistou corações, ganha um livro à altura de sua importância. Fartamente ilustrado, com imagens raras e textos elucidativos frutos de uma minuciosa pesquisa realizada por vários autores.




Revista
Especial Dia das MulheresFenamizah comemora o Dia Internacional da Mulher com uma edição especial.

Comemorando o “Dia Internacional da Mulher”, foi publicado junto com a edição de março um álbum especial, “Women Cartoons - Fenamizah Extra”, incluindo cartuns, pinturas, ilustrações e escritos de 112 artistas profissionais e amadores de 34 países. Você pode baixar o PDF aqui ou ler online no site Fliphtml5.




Cards
Heróis & HeroínasHomenageando os grandes artistas da música brasileira

No intuito de homenagear personagens históricos da música brasileira, o caricaturista e ilustrador Eduardo Baptistão e Geraldo Leite, músico e radialista, lançam Heróis & Heroínas da Nossa Música, um caixa contendo 52 cards, com as caricaturas e mini biografias dos artistas de MPB, Samba, Choro, Bossa-Nova, etc. Além disso cada card acompanha um QR Code com playlist de cada artista, preparada por Geraldo Leite.




Livro
Caricaturas de J.BoscoMúsica, cinema, literatura e caricaturas

O livro J.Bosco Caricaturas (formato 23 x 27 cm - 90 páginas) retrata algumas celebridades da música, cinema e literatura em traços preto e branco, uma homenagem ao estilo clássico da caricatura. São 75 desenhos, entre eles Lupicinio Rodrigues, Quenti Tarantino, e Ariano Suassuna, com apresentação de escritores e caricaturistas como, Miran (editor e diretor da revista Gráfica), Marko Ajdarik, Haroldo Gepp, Luciano Magno, Solda e Adriano Barroso. O livro faz parte das comemorações dos 25 anos de atuação de J.Bosco no jornal O Liberal, de Belém do Pará, como chargista diário e caricaturista.




Revista
Nova edição da FenamizahJá está disponível a 83ª edição da Fenamizah, publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan.

Já está disponível a 83ª edição da Fenamizah, publicação turca de humor editada por Aziz Yavuzdoğan. Você pode ler a edição online aqui ou baixar o exemplar em pdf aqui.